Crônicas de Porto Feliz-As Monções
A magnífica Cidade Porto Feliz, em São Paulo, anteriormente conhecida como Araritaguaba, foi o ponto de partida para as Monções.
De origem árabe, a palavra monção significa “estação do ano em que se dá determinado fato”.
No Brasil, o termo deu nome às grandes expedições fluviais que se realizavam no século XVIII, com destino às terras do Oeste, após a descoberta das minas em Cuiabá (MT).
Eram organizadas entre os meses de abril e setembro, época considerada mais propícia.
De Porto Feliz a Cuiabá as expedições se utilizavam de 19 rios e tinham que transpor 113 obstáculos entre Cachoeiras e Corredeiras e mais de 14 Km de terra no varadouro de Camapuã, sem contar as febres, a fome, os naufrágios e os índios que exterminavam expedições inteiras.
Viajantes estrangeiros e Historiadores brasileiros, fizeram das expedições que partiam de Porto Feliz, objeto de pesquisas e escritos.
Existiam dois tipos de Monções: As Reiunas (ou Oficiais) e as Particulares.
As reiúnas, eram organizadas pelo Governador, com o fim de transportar forças militares e autoridades administrativas.
A mais célebre foi a do governador Rodrigo Cézar de Menezes.
Partiu do porto de Araritaguaba para Cuiabá (MT) em 1726, com 308 canoas e cerca de 3 mil pessoas.
A última Monção particular de que se teve notícia em Porto Feliz, foi a de Fermino Ferreira.
Seu fim se deu frente à dificuldade das cachoeiras e corredeiras.
O Batelão, era a embarcação utilizada nas expedições (fundamentalmente, a piroga indígena), fabricada de um tronco só de Peroba ou Ximbúva, madeiras muito resistentes.
Esses canoões tinham 1,65 m de largura, 12 m de comprimento, 1,15 m de profundidade e sua espessura, 0,67 m.
Acomodavam cerca de 90 sacos de mantimentos.
Os aperfeiçoamentos introduzidos, se limitavam à utilização de juntas de ferro e cobertura de lona para proteção contra chuvas.
A tripulação era composta pelo piloto, contra-piloto, proeiro e 5 ou 6 remeiros.
Esses canoões tinham extremidades na proa, para os remeiros, e outra na popa, para o piloto.
Numa Monção, a canoa maior servia de guarda e guia, levando na popa, uma bandeira com as armas portuguesas.
O dia de partida de uma Monção era sinônimo de grande movimentação e festa em Araritaguaba.
Desde o clarear do dia, canoas e batelões recebiam os carregamentos a serem utilizados durante a viagem e vendidos nas minas.
Constituíam-se de alimentos não-perecíveis, como: farinha de milho e mandioca, feijão, toucinho, sal e carne salgada, barris de aguardente produzida na terra, armamentos e munições.
Tarefas cumpridas, piloto, proeiros, remadores, soldados, escravos e outros passageiros aguardavam em seus postos a chegada dos bandeirantes chefes e o momento de partir.
O desejo de enriquecimento rápido e o espírito de aventura pareciam lhes furtar, por alguns instantes, a distância a ser vencida, os rios a transpor, a ferocidade dos índios e tantos outros sofrimentos à sua espera.
Antes da partida, todos recitavam uma ladainha, sucedida pela benção final do sacerdote.
Momento de partir: todo o povo concentrado no porto.
Tiros eram dados, rufavam os tambores.
Uma a uma, as canoas iam descendo o grande rio, tremulando bandeiras coloridas.
À sua frente, 3500 Km de águas para superar, dos rios Tietê, Paraná, Pardo, Coxim, Taquari, Porrudos e Cuiabá, até atingirem a região das minas de ouro.
O trecho mais difícil, era a subida do Rio Pardo, onde se gastavam até dois meses.
Nas cachoeiras, as canoas desciam seguras, amarradas por cordas, e as cargas, sobre os ombros dos tripulantes.
Passavam-se meses...
De repente, um tiro de arcabuz rompia o silêncio de um vilarejo aparentemente deserto.
As casas de Araritaguaba davam sinal de vida.
Todas as atenções voltavam-se para o grande rio.
Era uma Monção que vinha chegando de Cuiabá.
O povo se dirigia rapidamente ao Porto, com grande inquietação e expectativa pelo retorno ou, ao menos, notícias de entes queridos.
No dia seguinte, o povoado amanhecia movimentado.
Com a descarga das canoas no Porto, Araritaguaba, pobre e quieta, tornava-se por alguns dias rica e agitada.
O ouro corria como dinheiro e com grande facilidade, eram gastas as riquezas adquiridas com tanto sofrimento.
A famosa expedição Russa Langsdorff, foi organizada e chefiada pelo barão Georg Heinrich von Langsdorff, médico alemão naturalizado russo, que percorreu, entre os anos de 1824 a 1829, mais de dezesseis mil quilômetros pelo interior do Brasil, fazendo registros dos aspectos mais variados de sua natureza e sociedade, constituindo o mais completo inventário do País.
Essa expedição fazia parte do esforço do Governo do Czar Alexandre I para reavivar as relações comerciais entre o Brasil e a Rússia, que haviam sido muito prejudicadas pelo embargo imposto por D. João VI.
Contando com o apoio do jovem Imperador D. Pedro I e de José Bonifácio que forneceram, em nome do Império, créditos vultosos e vantagens alfandegárias, a expedição visava "descobertas científicas, investigações geográficas, estatísticas e o estudo de produtos desconhecidos no comércio".
Após consultar pessoas de sua confiança, do interior da Província de São Paulo, (família Engler, de Itu, especialmente), o Barão de Langsdorff decidiu que a segunda etapa da viagem, para o interior do país, seria feita por rios.
Tal viagem foi organizada em Porto Feliz (SP), com a participação do médico e político desta cidade, Dr. Francisco Álvares Machado.
Sua partida se deu em 22 de junho de 1826, do porto no Rio Tietê, Porto Feliz.
Trajeto: Rios Tietê, Paraná, Pardo,Coxim,Taquari, Paraguai,São Lourenço,Cuiabá, Preto, Arinos, Juruena, Tapajós, Amazonas.
O diário de bordo ficou por conta do Barão de Langsdorff, que o escreveu até o dia 20 de maio de 1828, quando a Expedição encontrava-se em Tocarizal, à margem do Rio Juruena, um pouco depois do Salto Augusto.
Sentindo-se em grandes problemas de saúde, escreveu: “Todos à minha volta estão doentes; apenas Florence está em condições de escrever o diário, que vou incorporar ao meu”.
O material coletado pela expedição, inclusive o diário de bordo do Barão de Langsdorff, encaminhado à Rússia, somente foi encontrado cerca de um século mais tarde, conforme esclarece o Sr. Boris Komissarov, em seu livro Expedição Langsdorff, Acervos e Fontes Históricas.
Fonte: https://portofeliz.sp.gov.br/cidade/historia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Expedi%C3%A7%C3%A3o_Langsdorff
Imagens: Autoral




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