Crônicas Militares- Cabo Antonio Duarte de Andrade Amaral- Herói do Corpo de Bombeiros-SP
Localizado sobre uma loja de tecidos e comércio variado, no primeiro andar do número 259 da Rua Florêncio de Abreu, o Clube "Elite XXVIII de Setembro", era frequentado pela classe humilde de São Paulo, trabalhadora, que aproveitava as folgas, para um pouco de distração, possuía capacidade para 80 pessoas, porém sempre recebia público maior que o comportado.
Para o mês de junho de 1953, fora anunciada uma festa junina no dia de Santo Antônio.
Os donos do clube, solicitaram um alvará para a prefeitura de São Paulo e informaram uma previsão de público de 130 pessoas (embora essa previsão excedesse a capacidade do salão em 50 pessoas).
Porém, na noite de 13 de junho, compareceram ao "Elite", mais de 500 pessoas, lotando o pequeno salão.
Por volta da meia noite, irrompeu um pequeno incêndio em um imóvel contíguo ao Clube Elite.
Tal incêndio, foi noticiado ao Guarda Civil de serviço na região, sendo de imediato, comunicada tal ocorrência ao Corpo de Bombeiros, destacando-se que não havia ainda o serviço telefônico de emergência, "190".
Do quartel central dos Bombeiros, na Praça Clóvis, partiram quatro viaturas e cinquenta Praças, comandadas pelo tenente Clóvis de Melo, para o local, destacando também que apenas as viaturas de "Radiopatrulha", possuíam rádios para comunicação..
Quando alcançaram o local às 00:25 de 14 de setembro, o incêndio já havia se alastrado para o interior do clube.
Centenas de pessoas, tentando escapar, se comprimiam na única escada de acesso ao Elite, localizado que era, no primeiro andar do imóvel, enquanto outras, se atiravam pelas janelas.
A confusão no clube era tamanha, que a multidão encurralada na estreita escada , tentou se agarrar aos bombeiros, que intentavam abrir caminho para evacuar o clube.
Durante o resgate, o Cabo do Corpo de Bombeiros, Antônio Duarte do Amaral e o Investigador do DOPS, Armando dos Santos, morreram asfixiados, após serem agarrados por dezenas de pessoas presas na escada de acesso ao clube.
O Investigador Armando dos Santos, encontrava-se prestes a se aposentar e encontrava-se de folga, porém o dever falou mais alto, e compareceu ao sinistro para salvar vidas!!!
Aliás, o salão de bailes, não possuía saída de emergência, bem como o assoalho do mesmo era confeccionado em madeira, o que auxiliou na combustão.
A escada Magirus disponível, era insuficiente para a evacuação dos frequentadores do clube e os Bombeiros tiveram de usar mais três escadas convencionais prolongadas.
Após controlar o incêndio, os Heróis do Fogo, adentraram ao clube e encontraram trinta corpos presos na escada.
Pelo local compareceu, o Comandante Geral da Força Pública, Coronel João de Quadros, para acompanhar os trabalhos.
O prefeito recém-empossado Jânio Quadros, também compareceu ao local da tragédia, podendo testemunhar o triste episódio, no qual um dos bombeiros, que removia os corpos, teve sua atenção voltada para um dos lados do salão, ficando um tempo imóvel, porque reconheceu o cadáver de seu próprio filho, entre as vítimas fatais e em prantos, abraçou carinhosamente aquele corpo inerte, beijando-o, voltando incontinenti ao salvamento.
O prefeito Jânio Quadros entre outras testemunhas, chorou!.
Além das vítimas fatais, restaram mais de setenta feridos nesse incêndio.
O prefeito Jânio Quadros, recém-empossado que era no cargo, determinou a intensificação na fiscalização de estabelecimentos congêneres (cinemas, casas de espetáculos etc.) e em especial, àquelas sem “saída de emergência”, evitando assim, novas catástrofes do tipo.
O Heróis, Investigador Armando dos Santos e Cabo Antônio Duarte do Amaral, tendo o primeiro,sido velado na Biblioteca do DOPS, com grande afluência de pessoas, no dia 14 de junho, posteriormente tendo o cortejo seguido para o Cemitério da Lapa, com numerosa escolta, onde hoje repousa em paz e o segundo, velado na Sede do Corpo de Bombeiros, no dia 15 de junho, com grande afluência da População Paulista, tendo sua "Guarda de Honra", formada por integrantes de sua própria Guarnição, foi o seu corpo ao Cemitério do Brás, em caminhão do Corpo de Bombeiros, com mais de 200 viaturas, na escolta, entre os carros dos Bombeiros, Força Pública, Guarda-Civil e Polícia Civil, compondo o cortejo fúnebre, onde hoje descansa em paz.
O Cabo Antônio Duarte do Amaral recebeu homenagem póstuma da prefeitura de São Paulo, com seu nome denominando uma praça no bairro de Pinheiros.
Pelos heroicos atos praticados, morto no cumprimento do dever, não sem antes salvar uma dezena de pessoas, foi promovido “post-mortem” à graduação de Terceiro Sargento da Força Pública.
Depois dessa promoção, também no Município de Guarulhos, foi homenageado póstumamente, denominando a Praça Sargento Antônio Duarte do Amaral, no Parque Marabá,
O Investigador Herói Armando dos Santos, também recebeu uma promoção "Post Mortem".
Esse foi o pior incêndio ocorrido em São Paulo, até o acontecido no Edifício Joelma em 1974, sendo considerado o pior incêndio em boates no Brasil, até o ocorrido na boate Kiss.
Que as memórias e feitos dos Heróis, Cabo Amaral e Investigador Armando, sejam sempre lembrados e honrados.
Fontes: BN Digital, https://www.facebook.com/pmesp/posts/3356390377729960/,Wikipedia e
https://www.resgateaeromedico.com.br/o-incendio-no-clube-elite-xxviii-de-setembro-esquecido-na-historia/

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