Crônicas Lusitanas- A Lenda do Ourique
A primeira referência conhecida ao milagre ligado a esta batalha é do século XV, no "Cronicão de Santa Cruz".
Ourique serve, a partir da vitória, de argumento político para justificar a independência do Reino de Portugal: a intervenção pessoal de Deus era a prova da existência de um Portugal independente por vontade divina e portanto, eterna.
A tradição narra que, naquele dia, consagrado a São Tiago, o soberano português teve uma visão de Jesus Cristo rodeado de anjos na figura do Anjo Custódio de Portugal, garantindo-lhe a vitória em combate.
Este ponto da narrativa, é similar à narrativa cristã tradicional da Batalha da Ponte Mílvio, opondo Magência a Constantino, segundo a qual Deus teria aparecido a este último dizendo: IN HOC SIGNO VINCES (em latim, "Mediante este sinal vencerás".
Fato é que Portugal encontrava-se envolvido na reconquista de território aos mouros, praticamente desde a sua fundação em 868.
Após a Batalha de São Mamede, travada contra as forças da própria mãe, Afonso Henriques assumiu o poder no Condado Portucalense.
Desde o cerco de Coimbra no ano de 1117, a fronteira sul do condado era frequentemente violada por forças muçulmanas à procura de saque.
O espírito de guerra contra os mouros mantinha-se e em 1135, Afonso Henriques passou à ofensiva com a fundação do Castelo de Leiria, o seu primeiro ato de hostilidade dirigido aos mouros.
O alcaide de Leiria, PaIo Guterres, tinha por obrigação, não só defender a estrada que dava acesso a Coimbra como levar a cabo razias contra o território de Santarém.
Tão eficaz foi que, quando Afonso Henriques se deslocou à Galiza com as suas tropas a combater o rei Afonso VII, de Leão, o castelo foi atacado e arrasado em 1137, pelas tropas do alcaide de Santarém, Auzecri, um dos mais valorosos comandantes muçulmanos do Al Andalus.
Firmadas as pazes de Tui e cessadas as hostilidades entre Portugal e Leão, em 1138 o rei Afonso VII de Leão, lançou uma profunda incursão em terras muçulmanas que logrou alcançar Jaén e durante quatro semanas os leoneses devastaram a região de Baeza, Úbeda e Andujár.
Em Abril de 1139, Afonso VII lançou um novo ataque, desta vez contra o castelo de Oreja e para reunir um exército suficientemente poderoso para socorrer a praça forte sitiada, os governadores almorávidas de Córdova e de Sevilha desguarneceram os castelos do ocidente peninsular.
Reunida a hoste em Coimbra, os portugueses devem ter atravessado o rio Tejo nos vaus de Paio de Pele ou de Constância, a leste de Santarém, de forma a eludir a vigilância muçulmana.
Estando a maior parte dos efetivos almorávidas empenhados no socorro ao castelo de Oreja, pouca resistência foi oposta à passagem da hoste portuguesa.
No entanto, os estragos causados no Algarbe levaram o governador de Sevilha, Iáia Ibne Isaque Sevilha Almassufi, mais conhecido como Esmar, a chamar a si as tropas disponíveis em Badajoz, Évora, Elvas, Sevilha e Beja, entre outros castelos menores e partir no encalço dos portugueses, quando estes já se encontravam no caminho de regresso a Portugal, carregados de despojos.
Devido ao saque e cativos de guerra, a tropa portuguesa marchava lentamente.
A meio do dia de 24 de Julho o exército muçulmano foi avistado por batedores portugueses e não sendo possível escapar a um confronto, sob o tórrido sol de verão, Afonso Henriques dirigiu o seu exército para um outeiro, no qual foi montado um acampamento de guerra.
O recinto foi fortificado com fossos escavados em redor e passada ali a noite.
Pouco antes da alvorada de 25 de Julho, dia de Santiago, D. Afonso Henriques mandou soar os instrumentos de guerra, como aviso de que partiriam para a batalha em breve.
Antes do combate, Afonso Henriques foi aclamado rei pelos seus guerreiros à antiga moda germânica, erguido de pé sobre o seu escudo.
A iniciativa do ataque partiu dos muçulmanos, que procuraram invadir o acampamento português.
Os portugueses saíram a campo organizados em vanguarda, duas alas e retaguarda,no confronto que se seguiu, o primeiro dos azes em que se dividia a hoste muçulmana foi rasgado por uma carga da cavalaria pesada portuguesa.
Afonso Henriques matou pessoalmente um guerreiro adversário com um golpe de lança.
Os portugueses avançaram até ao segundo az muçulmano mas, já sem o ímpeto da investida, generalizou-se o combate corpo-a-corpo.
Aqui porém, valeram aos portugueses as suas armaduras, mais pesadas que as dos seus inimigos.
A batalha durou até o meio do dia, um pouco mais tarde.
Incapazes de suster o avanço cristão, os muçulmanos retiraram-se do campo de batalha, tendo até Esmar abandonado o combate com os seus homens.
Muitos foram mortos na debandada.
Inclusive, um dos meus Antepassados da trigésima geração, Dom Egas Fafes de Lanhoso, acompanhou o Rei Afonso Henriques, nesta batalha e após, conforme o Nobiliário das Famílias de Portugal, esteve na cidade de Jerusalém, local onde veio a receber das mãos do rei Balduíno III de Jerusalém as novas Armas de seu Brasão, que usam os seus descendentes, por bons serviços prestados.
Foi confirmante de diplomas régios entre 1146 e 1160.
Pelas inquirições de 1258 (Afonso III) sabemos que a sua quinta do Lameiro em Ponte (Vila Verde) foi honrada por D. Afonso I.
Também foi senhor de Vila Verde e um lugar da vila ainda tem como nome o seu diminutivo: Fafias, no distrito de Braga
Fontes: https://pt.wikipedia.org/wiki/Batalha_de_Ourique., https://www.geneaminas.com.br/genealogia-mineira/restrita/enlace.asp?codenlace=1411324, https://www.familysearch.org/pt/tree/following/
Imagem: https://pt.wikipedia.org/wiki/Batalha_de_Ourique#/media/Ficheiro:Vis%C3%A3o_de_D._Afonso_Henriques_na_batalha_de_Ourique.png, www.geneaminas.com.br/genealogia-mineira/restrita/enlace.asp?codenlace=1411324


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